egocracia.narcisistó’imodesta

por rogério


Meu caro senhor Nuno que é Moreira e Araújo é tempo de elevar uma vez mais os parâmetros pelos quais este blog se rege, pois está aqui a faltar um trago de identidade poéticó.metafisicó.transcendente a.k.a ao largo do rebanho que flúi nas correntes da comundidade.

Cá ficam as bases para uma dissertação sobre os valores morais e patrióticos na instauração de um ideal governativo, longe dos pré-existentes e entranhados como o melhor a que se pode aspirar.
Não é uma egocracia.narcisistó’imodesta mas sim um estado puro de harmonia existencial do Eu com o Todo e do Todo com o Elemento Único.

. justiça (lei, moral, jurisdição,
. kracia (governo, regência, directriz,
. livre-alvedrio (a essência que é o ponto, escolha, causalidade, desígnio,
. inocência e humildade (inocuidade, abnegação, altruísmo,
. propósito (objectivo, potencialidade,


Com o intuito de manter a leveza pela qual este blog se orienta, isto é um resumo. A dissertação completa pode ser sorvida aqui: >>>

O retrato escondido

por Catarina

Porque hoje é o teu dia eu acedo finalmente ao pedido e volto a escrever. É um presente de palavras desembrulhadas com a leitura que fazes delas :)

O retrato escondido - Escrito por ..-.. Catarina val Mathias..-..

Na aurora do vigésimo sexto ano, do auto-denominado fruto do desígnio, venho em auxílio do seu carácter, para que a mancha toldada pelas palavras que me precedem acolham um raio de luz.

Poucos são os dias que tenho o prazer de poder manter a presença no espaço que ele investe de singular fascínio. Mas ao contrário do Nuno-Barão-Ferreiro de carícias afectuosas duvidosas, eu vislumbro antes uma aura de luar composta por Dvorák e com pinceladas dos últimos dias do querido Ludwig.

Os intuitos das analogias de tempos findos, são na procura mentalíssima do justificar uma existência, investida de momentos livres de estigmas sociais. Não é tão altivo nem tão selvagem ou pretensioso. Olhando-o com um pouco mais de atenção, ver-se-á, a ternura de um olhar que desviará logo que reconhecido, uma meiguice de alento se não estiver mais ninguém a observar a candura de que é capaz.

Toda a máscara lhe descai quando apaixonado. Não mais se amantiza a esses carbonários liberais, mantendo o negro faro alerta no meio do branquiçal diocesano, castrando sempre que necessário, as investidas pueris de velhos burgões moldes de um passado lógico num presente antiquado obtuso entorpecido da libertação da mente. E esse Dom que julgava ser rei é-lhe conferido a totalidade dos bens e confirmado ninharias para suplantar a derrota. Que se mantenha no exílio ou que venha servir as esquecidas hostes sulistas que lá ficaram a marinar o tédio de um ar veranil.

Não lhe vejo esse ar selectivo nas relações de carisma mais íntimo, se bem que se denota uma queda para o ar rebelde, para as deusas a meio caminho do ciúme desconfiadas arrebatadas e irracionais. Que imanam impaciência e uma sedutora mente, meio animal selvagem, meio expulsa do paraíso. Que transmitem em verbos expressões que poemas não conseguem definir através de palavras ou saltos de fé na plenitude do prazer-físico.

Não o vejo tão longe a conseguir os objectivos a que se prometeu. Mas compreendo a necessidade de o deixar ser livre. A mim ter-me-á até ao fim da lira poética, como sentimento, não obrigação ou entrave a todos os sonhos e anseios, que vai escrevendo e me deixa ler em pequenas doses, reservando sempre os seus segredos, numa característica sedutora e deliciosamente irritante.

a submissão à indolência

por rogério


AAAAAAAAAHHHHHHHH - que este descoco (audácia, desplante, descaro) tira-me do sério.

- Então, como anda a vida?
- Bem.
- Tens planos, já sabes o que vais fazer?
- Sim.
- “Bem” “Sim” - Deixo-te junto das ovelhas algum tempo e de imediato o teu vocabulário sofre a submissão à indolência. Tu és maior do que isto.
- Eis que escrevo sobre o aceder ao artista que existe no interior de cada um de nós.
- AAAAAAAAAHHHHHHHH, que essas frasezinhas tiradas da cloaca do cordeiro, deixam-me fora de mim.

- Faz parte das nossas vidas, do nosso colectivo, enquanto seres sociais, assumir as responsabilidades, que envolvem as nossas relações quotidianas.
- Foodaaaaassse! Eu também contraí o bicho da responsabilidade, mas equilibro esse evacuado, não deixo a pressão diária do ritualizado laborar, interferir com os rituais da latente libertação do ego-animal auuuuu! auauau auuuuuuuuu!

- Consigo sentir que o teu íntimo artífice se sente oprimido, tens de passar a operar de acordo com o teu preconsciente que anseia libertar-se.
- Chhiiiiiiiii, cum camandro, se isso dá no touro, despacha as leiteiras todas. Venderes-te não é realmente o teu forte, pois não?
- Eu não me estou a entregar, eu estou a ceder o meu trabalho.
- Huumm continua a tentar convencer-te do que melhor te faça dormir à noite.
- Ironizas este momento, e evitas ter uma conversa a sério. Eu sei que gostas de palavras, mas estás a ter um raciocínio ilógico ou a galhofar-me propositadamente.
- O quê, não posso fazer as duas coisas? Ao menos reparaste nisso. Outro qualquer nem se aperceberia que passei por ele de picareta e bigorna na mão. O teu desvio ainda é sanável.

- Eu sei que tu resides num universo moralista completamente distanciado das potencialidades de nós, seres tão reais.
- Qual é a palavra para esse discurso mesmo? MARICAS!
- Sim obrigado. Desculpa, nunca foi minha intenção investir-te de sentimentos que não conseguisses dominar.

- Eu não estou surpreso por tu teres escrito algo com venda. Porque se olhares para as prateleiras, observas memórias do passado, entidades que são, ao passar dos teus dedos pelas páginas investidas de tempo. E esse espectro sente-se muito distinto nesses instantes.
- Exacto. Ficaram com o nome na história, quanto mais se pode querer?
- Espera deixa-me acabar, que no final isto dá uma volta de clarividência. - O caminho para a grandeza da publicação está cheio de boas intenções, e é bom enquanto dura. Fruto de teres acreditado em ti próprio e afins. E eu até aceito, na medida em que não sejas devorado por psíquicos vampíricos, consumidores de mentes. Expostos juntos de todos os outros livrinhos medianos que só tem existência durante um ano ou até à cárcere última do compositor da melodia. - Não te deixo aqui com exemplos de obras a abarcar, não te forneço o mapa do trilho a seguir, não exponho que algo que nunca foi feito é que irá ser o que me vai apaziguar a fome. Porque de verdade só existe uma a saciar.. e enquanto não te aperceberes disso, vais continuar a fazer todo o sentido em discursos de afago com o ego. - Poderias aprender o que precisas, mas se vais à procura de alimentar a resolução onde cravaste o paladar, ficarás eternamente circunscrito ao limite da trela que no esticão último, castra a ilimitação do ego. - Claro que se estás na busca de facilidades acabas por as encontrar, e achas que é finalmente o rumo a tomar.

- Este livro demonstra exactamente como me sinto.
- E isso é o quê? Alienado, nauseado, verdadeiramente despossuído?
- Ó pá, não me chateies.
- Eu tenho de chatear, eu sou um homem numa missão. Em que tom de preto é que eu tenho de te explicar isto?
- Isto é tudo uma merda!
- Grandes mentes pensam igual. O denominador comum nisto é que podes rir ou chorar ou os dois, porque não existem humores que sejam demais.

- Façamos o que fizermos, não passaremos nunca de um mais tijolo na parede.
- E o refrão é o verso.
- O que é que isso quer dizer?
- Descobre, meu caro gafanhoto, e o meu trabalho será considerado findo. Eu só quero ver chegar o dia em que possa dizer: - “Encontrei alguém com capacidade no lobo frontal. Estou apaixonado.”


por rogério m. f. a.k.a. ego est quis ego sum em dias de dezembro do vigésimo quinto ano.