idoneidade animal

por rogério



- uma investida sobre a apatez do carácter de um homem bom.

Nascido no dia do primaz celeste, aquando do ardente raiar da lua alta. Entre o medo não sentido e a fúria da tarefa na teimosia por cumprir. Ao mundo finalmente aceitam-se apostas, mancebos e amantes, a quem dele irá dispor. Do pó fez-se pó do pranto inicial fez-se um saudoso uivo – não tem mais medo não, é chegado aquele que estava para ser. Ao relâmpago do passado tirano apronta-se o foguear da cinza aquando na calmaria da raiva liberta no calhau sem temor agora espectro agora poeira aprendida a saber venerar.
Da carne fez-se carne, da podridão existencial fez-se luz, da luz augura a certeza da incerteza do sonho censurado, após o rasgo de ardor a entrada triunfal na cárcere consentida à cópula exorcizada e mais mal nenhum há-de vir – tem medo mais não, mais mal nenhum há-de vir. E é tentar conceber como qualquer bafo de civilização foi sequer possível com tamanha sedução ao seu dispor.
Longe da perseverança da vida domado dos sonhos de serão, morno no tempo de inverno e é tudo nimbe e é tudo frio e ousado e tudo selvagem no censo último suspirado ao desgosto do amargo que sabe vir. Gentil pastor cor de que à tanto te espero, para a tarefa que te deixei valorosa no aguardo supremo que teus olhos anis são ideais a cumprir.
Com as diocesanas compondo o proscénio, cerro ao fim do púlpito proferido em um acto consulado – ide canhões formais do berro aulido. de espectadores compõem agora a cena última nesta sem nada a que atender, pois que seu destino foi cumprido, pois que consumado o acto leito na noite terminu ele está aí – teme mais não, ele está aí.

Retrato à viagem do sonhador

por rogério

– (com uma voz rouca do cachimbo milenário, que lhe augura a liderança) MARUJOS!
– Sim, meu Capitão!
– Eu prevejo nos meus ossos que esta é a nossa última viagem, a derradeira aventura que nos levará à fonte do manancial.
- O clima está frio Capitão. É difícil de acreditar bom tempo nos dias de vizinhança.
– Marujos! Qual é o lema?
– Eu Sou! Meu Capitão.
– Eu Sou o quê?
– Eu Sou o último dos destemidos navegantes nas ondas do perigo, embriagado incurável de tesouros por conquistar.
– Nunca se esqueçam disso. - As naus por construir aguardam comandantes, as mulheres na costa raiam o vosso chegar.
– O vento vira de Sul, Capitão.
– É a providência a nortear as velas. Âncoras a bombordo, temos terra marujos!
– Onde? Não vejo nada. – Eu também não. – Meu capitão, ninguém vê terra!?
– Acreditem, sinto-lhe o sabor a entranhar-me os poros. Preparem-se marujos, hoje jantamos em terra firme.

(horas depois)
– Capitão! Ainda não se vê terra!
– Não é por não se ver, que ela não está lá.
– Sim, meu Capitão.

(meses depois)
– Caro Capitão, os homens começam a pensar que estamos perdidos.
– Só está perdido quem não tem um rumo a seguir.
– E qual é o nosso rumo Capitão?
– Será que não consegues ver homem? Tudo faz sentido. Andar à deriva é o desígnio a resignar-se à obstinação. Nós estamos onde temos de estar. O dia ainda não acabou.

sobre a verdade e o ego take 2 de 3

por rogério

definições: transparências al ego

sim porque, quando o ponto de partida é errado, a solução, por mais correcta que pareça, é indubitavelmente uma catarse esculápia.

Tu és a típica ovelha num rebanho de um. Sim, sim ouviste bem. Nunca te vejo a assumir um acto rebelde, nunca te vejo a navegar a deriva de ondas indomáveis, nunca te vejo a dizer “Eu”. É só “nós o rebanho” pra’qui “nós o rebanho” pra’li. O significado subordinado à vida do indivíduo, é só na medida em que se extasia do valor supremo, da capacidade em tornar uma mais valia o acto de existir.

Ego

Ego é diferente do Eu, sem se dissociar do ser que é. Isto, em caracteres suaves, vislumbra as fronteiras da Consciência.
Ser a soma total dos pensamentos, ideias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais, é tudo muito bonito, mas isto são definições de algibeira, para uma vez por outra, o eterno inculto saciar a sede.

O ego, por estranho que possa parecer, é a parte mais superficial do indivíduo, uma vez que obedece ao princípio da realidade. Representações mentais complexas de ideias abstractas como: ‘Centauro’ estão implícitas, e é um desperdício temporal estar a divagar sobre elas. Assim o conceito, a coisa, a ideia, traz subentendida, pela dependência de actividade mental, a presença de intencionalidade, e não a projecção da percepção inata.
Aquele famoso id, regido pelo inconsciente, e aquele malogrado superego, subjugado à moral, são tudo cisões absurdas do ponto a que se quer chegar. Por outro lado a tomada de consciência procedida dos impulsos que emanam do indivíduo, facultam a esta definição a exigência para a qual é direccionada: ‘o complexo do ego’. A percepção e a noção de existência, a eliminação da subjectividade para o acolhimento da certeza cienciente.

‘Subjectividade’ este deve ser o sinónimo que o comum mortal mais dá ao ego. Ser consciente não é exactamente a mesma coisa que perceber-se no mundo, mas ser no mundo, a etimologia do eu ao eu, na faculdade de primeiro momento.
A amplitude consciente do Ego não pode ser uma alteração induzida do estado da consciência, mas antes incorporar o acto inato do presente, irreflectido.

Tudo isto é demasiado complexo no limiar do confuso? Claro que é. E é por isso que te vou fazer um desenho:

(∑ inato do indivíduo * pelo 2 da √x) - Subjectividade = 1 (ser único)

Sendo que x, é ‘α’ e ‘Ω’.

A tua pergunta agora vai ser óbvia: “Então a subjectividade não é inerente ao ego?” Já respondi a isso, lê outra vez e não me faças perder tempo com perguntas obtusas.

Agora, o take 3, virá quando a providência assim me orientar.

e acabo com o ‘ego’centrismo do costume, que destrói tudo quanto ergui: escrito pel’a entidade divina rogeriana, no ócio do vigésimo sexto ano.