Sábado, Julho 25, 2009

sobre a verdade e o ego take 2 de 3

definições: transparências al ego

sim porque, quando o ponto de partida é errado, a solução, por mais correcta que pareça, é indubitavelmente uma catarse esculápia.

Tu és a típica ovelha num rebanho de um. Sim, sim ouviste bem. Nunca te vejo a assumir um acto rebelde, nunca te vejo a navegar a deriva de ondas indomáveis, nunca te vejo a dizer “Eu”. É só “nós o rebanho” pra’qui “nós o rebanho” pra’li. O significado subordinado à vida do indivíduo, é só na medida em que se extasia do valor supremo, da capacidade em tornar uma mais valia o acto de existir.

Ego

Ego é diferente do Eu, sem se dissociar do ser que é. Isto, em caracteres suaves, vislumbra as fronteiras da Consciência.
Ser a soma total dos pensamentos, ideias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais, é tudo muito bonito, mas isto são definições de algibeira, para uma vez por outra, o eterno inculto saciar a sede.

O ego, por estranho que possa parecer, é a parte mais superficial do indivíduo, uma vez que obedece ao princípio da realidade. Representações mentais complexas de ideias abstractas como: ‘Centauro’ estão implícitas, e é um desperdício temporal estar a divagar sobre elas. Assim o conceito, a coisa, a ideia, traz subentendida, pela dependência de actividade mental, a presença de intencionalidade, e não a projecção da percepção inata.
Aquele famoso id, regido pelo inconsciente, e aquele malogrado superego, subjugado à moral, são tudo cisões absurdas do ponto a que se quer chegar. Por outro lado a tomada de consciência procedida dos impulsos que emanam do indivíduo, facultam a esta definição a exigência para a qual é direccionada: ‘o complexo do ego’. A percepção e a noção de existência, a eliminação da subjectividade para o acolhimento da certeza cienciente.

‘Subjectividade’ este deve ser o sinónimo que o comum mortal mais dá ao ego. Ser consciente não é exactamente a mesma coisa que perceber-se no mundo, mas ser no mundo, a etimologia do eu ao eu, na faculdade de primeiro momento.
A amplitude consciente do Ego não pode ser uma alteração induzida do estado da consciência, mas antes incorporar o acto inato do presente, irreflectido.

Tudo isto é demasiado complexo no limiar do confuso? Claro que é. E é por isso que te vou fazer um desenho:

(∑ inato do indivíduo * pelo 2 da √x) - Subjectividade = 1 (ser único)

Sendo que x, é ‘α’ e ‘Ω’.

A tua pergunta agora vai ser óbvia: “Então a subjectividade não é inerente ao ego?” Já respondi a isso, lê outra vez e não me faças perder tempo com perguntas obtusas.

Agora, o take 3, virá quando a providência assim me orientar.

e acabo com o ‘ego’centrismo do costume, que destrói tudo quanto ergui: escrito pel’a entidade divina rogeriana, no ócio do vigésimo sexto ano.

Sábado, Junho 20, 2009

egocracia.narcisistó’imodesta


Meu caro senhor Nuno que é Moreira e Araújo é tempo de elevar uma vez mais os parâmetros pelos quais este blog se rege, pois está aqui a faltar um trago de identidade poéticó.metafisicó.transcendente a.k.a ao largo do rebanho que flúi nas correntes da comundidade.

Cá ficam as bases para uma dissertação sobre os valores morais e patrióticos na instauração de um ideal governativo, longe dos pré-existentes e entranhados como o melhor a que se pode aspirar.
Não é uma egocracia.narcisistó’imodesta mas sim um estado puro de harmonia existencial do Eu com o Todo e do Todo com o Elemento Único.

. justiça (lei, moral, jurisdição,
. kracia (governo, regência, directriz,
. livre-alvedrio (a essência que é o ponto, escolha, causalidade, desígnio,
. inocência e humildade (inocuidade, abnegação, altruísmo,
. propósito (objectivo, potencialidade,


Com o intuito de manter a leveza pela qual este blog se orienta, isto é um resumo. A dissertação completa pode ser sorvida aqui: >>>

Domingo, Junho 07, 2009



I

E assim sendo poderemos acreditar, apenas. Esperar no gesto como ponte sobre o vazio. Achar condição do lado de dentro do tempo. Prumo na gravidade que nos corta o corpo onde ele sente ausência. Não porque não tem, mas porque falta e faltando existe presença que se cala em comunhão. Olho o teu cabelo e há uma treva doce que descai para a luz. Uma leveza que mexe uma folha de plátano em mim. O que é macio expande-se pelo infinito. O que é sombra repousa etéreo. A folha cai. Poderemos apenas acreditar. Mas é preciso acreditar com as mãos, com a pele, com a boca, com a ferida do olhar. Agora. E esperar que em comoção dos dedos o espaço que nos separa seja suficiente para que o toque se complete. Há tempo entre nós e haverão pedras, se a tanto a fortuna nos levar lágrimas achando lugares de oração e nesse canto cânticos inventando o percurso mais longo para o nosso afastamento. Na praia, as nossas ondas encontrar-se-ão eternamente deitadas.



II

Estou sem tempo para te fazer chegar. É com outra saudade o vento, a forma de como as copas dos ciprestes falam com a natureza moribunda. E como é certo que todos procuramos o vazio, como os pássaros debicam o repente e depois perscrutam com o olhar de lado a impassibilidade do azul. De que nos falarão os resquícios, os gorjeios em que se misturam o vazio da nossa respiração e a saliva licorosa das teias que nos nascem dos dentes? Somos uma boca aberta às estações, uma gruta cavernosa de amparo e armadilha. E tudo é o mesmo uno em que se encontra o indestinto a doer no nosso interior as distinções que fazemos. Mais não pense eu ser dono do cavalo que me veio correr a dor.



III

Nem uma palavra. Nada. E no entanto antes da manhã um silêncio de recomeço. Saberemos nós que a esperança é uma verdade esquecida no nosso corpo - esquecida - derramada no nosso corpo - esquecida? Há um conceito de onda electromagnética que a todos nos une, uma linguagem humana que nos faz partilhar das gravidades, dos instantes reflexos na nossa mudez mordida nos lábios e destrinçada após largos rasgos de cumplicidade. E este invariavelmente só, de uma dádiva gratuita de não pudermos agradecer a ninguém com quanto antes ter uma noite, estender no abraço do vazio os braços talvez descaídos e sentir que algo nos agradece também. Sempre que os órgãos do magistério público são céleres a responder e ficamos nós com a resposta tão premente de humanidade.



IV

Será então o despertar adiado para o juízo final a única resposta que alguma vez iremos receber do universo. A única fala das coisas é a brisa descobrindo os lençóis do tempo que deixamos cair. Parece-me por isso que caminhas sobre as poeiras, ainda que o teu olhar seja o fundamento dos oceanos. Como poderá cair uma âncora do teu ser e orientar a corrente das lágrimas para as águas calmas de esquife? Quando nós somos apenas dois animais e não existe ninho para o nosso calor de mamíferos criando monumentos ao sol, bandeiras patibulares de sede e suor. É certo que a areia afoga as nossas lágrimas, a areia as nossas lágrimas. Mas quando ficaremos enxutos?



V

Ao passo que a não concretização do milagre revele ser afinal a essência da nossa possibilidade. Eu espero que tu venhas, diáspora entre o teu olhar e a minha mão a sentir. Nesta canção que inventei em silêncio do canto porventura, ora de repente em esperança pelo tempo que nos afasta para o interior do silêncio nocturno. Poder-se-á dizer que eu existo em vertigem deste abismo mas talvez a gravidade seja uma queda de necessária desilusão ao fundo de mim. Chegar e não ver ninguém, descobrir-me o ninguém, a alma que me responde quando falo comigo fragmentada em milhões de pedaços espelhados pelo universo, que não me pertencem, que não me obedecem. Pedaços universo.



VI

Os objectos repousando a espera do nosso toque. Aos cantos mais infinitos da impossibilidade do nosso toque, retendo a sombra e também talvez os tesouros mais profundos. Quem sob o hálito espreita e sobre o muro do pensamento, roçando o musgo húmido do abandono caindo para lá. Cresto pedaço de um tecido soblingual caindo-nos em véu de poeira. Há silêncio entendido, porém antes que o tempo não possa desatar mais o nó da espera. Sabes o vento nos milhais e depois um sopro vazio, o nascimento do vácuo no nosso coração. Pouco pedra pomes. Sabes já de poente a cancela que se abre. Poderia ser que outro pássaro se perdesse.

Terça-feira, Maio 19, 2009

despertar acidulado

(Abri o messenger às 04:57 e vi que não estava ninguém online)


óoO indeléveis tragos de mortandade a quem a face terrível da morte ainda não concedeu a vertigem do infinito, agora que acontece o chilreante sussurrar dos mais submersos segredos cosmológicos dormis! Acaso foi profícua a ceia e suficiente o arrebalde para que vos aninheis à clausura dos sonhos? Quem são as mulheres-calipso que se prestam ao vosso lado afogando-vos nos mais tenebrosos cabelos? Serão elas prémio suficiente para que vos abandoneis aos vossos obscenos desejos ao invés de prescutardes as delas preversas razões? Eu conheci uma e digo-vos que por ela daria a minha vida caso ela ma devolvesse. Sim, asseguro-vos que o mais fiel segredo do amante é dispensar a sua vida em patranhas alheias. Deixai pois o vosso corpo nessas mãos para que mais tarde não tenhas pejo em perde-lo, mas não adormeceis o espírito, não vos deixeis tranformar em porcos, prisão de todos os espiritos malditos. Reparai que Diana já saiu para caçar e que as suas driades se demoram nas mais venenosas correrias. É por estes momentos que se dão os planos e que se tecem todas as teias humanas. Não vos deixeis enganar pelo clarim da aurora, ele mais não é do que a trompeta que dá início aos jogos, e há como vós sois as gazelas, como vois sois as lebres, as raposas, os veados, o sangue quente de prazer dos repteis divinos. Com os vossos pequenos corações aflitos a bateram dentro de um tambor de esperanças e medos. Eles fecham as mãos e as vossas pulsações desapareçem amordaçadas pela frieza do aço. De nada vos servirão os esconderijos, são ilusórias as salvações. Colocai-vos, pois, ao carrasquio célere das adagas ou acordai antes da hora predita para que se impressione Apolo e vos tranforme em singular estrela ou singela constelação. Acordai antes do despertar e conquistai o infinito que, vosso por direito, por vosso dever vos aguarda. A todos os ventos solares, a todos os oceanos subterraneos: Se alguém me houve, se alguem me escuta, ainda...

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